Quando o palco São João ficou pequeno para o público, a imprensa e a inclusão
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| Joelma |
Por Mera Teixeira @mera.teixeira
Joelma foi o ponto alto do segundo dia da Virada Cultural paulista. Encerrando a programação do palco São João, ela entregou um show eletrizante que costurou sua trajetória solo aos hinos da era Calypso.
A plateia respondeu à altura: em êxtase. Nos bastidores, porém, a harmonia desafinou. A área reservada à imprensa, VIPs e Pessoas com Deficiência entrou em colapso por overbooking. Jornalistas que transitavam entre palcos, ainda que antecipados, foram barrados pela produção do evento sob a justificativa de superlotação.
O resultado foi uma cena sintomática: repórteres aglomerados na grade junto ao público, negociando a entrada com assessores num revezamento improvisado. A contradição maior se deu na área de acessibilidade. Projetado para 140 pessoas, o espaço excedeu sua capacidade. Pessoas com Deficiência foram inicialmente impedidas de acessar, com a produção alegando “questões de segurança”.
A tensão escalou até a intervenção policial, acionada por uma mulher com deficiência visual. A corporação lembrou à organização o óbvio jurídico: a Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/2015. Coube a Giovanna Longo, assessora de Comunicação da Secretaria de Cultura, o trabalho de mediação. Com jogo de cintura, negociou a entrada de PcDs e acompanhantes, e depois liberou repórteres para registros rápidos. Um paliativo eficiente, mas que expõe um problema estrutural.
A Virada Cultural de 2027 tem aqui um tema de casa: o sucesso de Joelma não foi surpresa. A infraestrutura, sim, pareceu despreparada. Quando o planejamento não escala junto com a potência artística, quem perde é o público, a imprensa e, sobretudo, o direito à cidade. O palco São João não diminuiu. Foi a gestão do espaço que não cresceu.
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