quinta-feira, 30 de abril de 2026

Festa de Santa Cruz começa neste feriado com atrações gratuitas

Evento na Aldeia Jesuítica reúne congada, maracatu, viola caipira e rituais religiosos de raiz e vai até 04/05

Festa de Santa Cruz/Divulgação


Por Redação PN

Uma das festas populares mais antigas do Estado de São Paulo, a Festa de Santa Cruz de Carapicuíba chega a mais uma edição a partir desta sexta-feira (01/05) e terá quatro dias de programação gratuita no coração da Aldeia Jesuítica de Carapicuíba, tombada pelo patrimônio histórico e considerada um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais preservados do país. 


O evento, que tem entre seus destaques a tradicional Dança de Santa Cruz, terá ainda quermesse, missas campais, procissões, congada, maracatu, uma rica programação de viola caipira e música raiz. A Festa de Santa Cruz de Carapicuíba é uma realização da Sarabaquê – Coletivo de Difusão Cultural e Social, Secretaria de Cultura do Estado de SP, Difusão Cult SP, APAA Difusão Cultural, Projeto Violas Brasileiras e Prefeitura Municipal Carapicuíba.

 

Com primeiro registro datado de 1734, a Festa de Santa Cruz nasceu no cruzamento entre a fé católica trazida pelos padres jesuítas, a espiritualidade dos povos indígenas catequizados na Aldeia de Carapicuíba e a herança dos mestiços que habitaram os sertões, arraiais e aldeias do interior paulista. Desse encontro de culturas surgiram práticas devocionais únicas — como a Dança de Santa Cruz e o Levantamento do Mastro — que resistem ao tempo e seguem sendo transmitidas de geração em geração pelas famílias tradicionais da comunidade, com destaque para a família Camargo.


Resistência cultural e memória viva

Com o passar dos anos, a admiração pelo culto da Cruz se fortaleceu e segue perpetuando até os dias atuais por diversas famílias tradicionais da Aldeia de Carapicuíba. A Festa de Santa Cruz é uma verdadeira confraternização que reúne amigos, vizinhança e comunidade para promover a religiosidade, pedir proteção, agradecer e oferecer entretenimento a toda a região.


Para Júlio José, produtor cultural, ativista e coordenador do Projeto Violas Brasileiras — um dos parceiros do evento —, a festa representa muito mais do que entretenimento: "É uma tradição que resiste ao tempo. A devoção e os rituais criados pela mistura de culturas têm se mantido graças ao trabalho dos festeiros e festeiras que dedicam sua vida à perpetuação dessa tradição tão importante."


Ele afirma que a Festa de Santa Cruz transcende o caráter meramente religioso para se afirmar como espaço de afirmação identitária, transmissão de saberes e fortalecimento do tecido social. “Em contexto de crescente urbanização e fragilização das culturas tradicionais, a festa representa um território de resistência cultural e memória viva”, declara.


Para Alessandro Azevedo, coordenador do Escritório Estadual do Ministério da Cultura (MinC) em São Paulo, além do valor religioso e histórico, outro destaque da Festa de Santa Cruz é a programação artística da festa que atrai pessoas de várias regiões, consolidando Carapicuíba como um polo de cultura popular na Região Metropolitana de São Paulo. “A presença de grupos de diversas manifestações da cultura brasileira cria um ambiente de intercâmbio cultural que fortalece as redes de cultura viva e contribui para a formação de públicos”, afirma Azevedo.


Para Vinicius Camargo, festeiro da edição de 2026, estar à frente da organização da tradicional Festa de Santa Cruz exige uma entrega absoluta que mexe tanto com o físico como no emocional. “Mas é um desafio que abraçamos com imenso propósito. Cada esforço é, acima de tudo, um ato de resistência para defender nossas raízes caipiras e honrar o legado dos antepassados que lutaram pela preservação do território sagrado da Aldeia de Carapicuíba. Promover essa cultura popular — que é paulista, brasileira e latino-americana — nos enche de orgulho e reafirma nossa identidade. Convido a todos a prestigiarem o evento e celebrarem conosco essa história viva, fortalecendo esse movimento de fé e tradição que pertence a todos nós", declara. 


Aldeia Jesuítica de Carapicuíba/Divulgação


Patrimônio histórico

A Aldeia Jesuítica de Carapicuíba constitui um testemunho vivo da história da colonização e catequese no Brasil. Fundada oficialmente em 12 de outubro de 1580, a aldeia foi idealizada como espaço de proteção e catequização dos índios Guaianases, Tupis e Guarulhos, sob a administração da Companhia de Jesus. Das 12 aldeias missionárias fundadas por José de Anchieta em torno do Pátio do Colégio, Carapicuíba é a única que sobreviveu às transformações do tempo, preservando sua configuração urbanística original em formato quadrangular típico das construções jesuíticas.


O conjunto arquitetônico, reconstruído a partir de 1727 seguindo o traçado original após incêndio provocado pelos próprios jesuítas em fuga dos bandeirantes, mantém elementos do século XVI nas três paredes de taipa de pilão da igreja construída em 1736. Este patrimônio tombado representa não apenas um marco arquitetônico, mas um repositório de memórias, práticas culturais e saberes ancestrais que resistiram ao processo de colonização.

Festa de Santa Cruz/Divulgação


Confira a programação completa:

Sexta-feira, 1º de maio - Feriado do Trabalhador

— Programação Cultural —

15h - Gilber Pessoa e Moreira de Acopiara  —  Música Nordestina

16h -  Orquestra de Violas de Carapicuíba  —  Caipira Tradicional

17h -  Beto Ponciano  —  Viola Caipira e Voz

18h  Rendeiras  —  Movimento Mulheres

18h30 -  Batuca Aldeia – Maracatu  —  Manifestação Popular

19h - Som das 10  —  Viola Caipira

 

Sábado, 2 de maio

— Programação Cultural —

15h - Du Catira Grupo  —  Grupo de Catira

16h - Inimar  —  Manifestação Popular

17h - Oca / Maracatu  —  Manifestação Popular

19h30 - Caravana Casa dos Caipiras de Pardinho  —  Moda Caipira Tradicional

20h30 - Tarcísio Manuvéi  —  Moda Caipira Tradicional

— Programação Religiosa —

19h - Procissão com a bandeira do mastro e solenidade do Levantamento do Mastro

22h - Início da Dança de Santa Cruz

 

Domingo, 3 de maio  ✦  Dia de Santa Cruz  ✦

— Programação Religiosa —

11h -  Missa Campal e Cantada em Louvor à Santa Cruz

17h -  Procissão em Louvor à Santa Cruz

— Programação Cultural —

16h -  Yllá e Aratara  —  Um Casal Caipira Urbano

17h - Moreno Overá  —  Viola Caipira Rio Abaixo

18h - Antony Ventura e Kelly  —  Viola Caipira Raiz

19h - Yuri Garfunkel e Lula Fidalgo  —  Show Violas Caipiras

20h - Grupo Congada  —  Manifestação Popular

21h - Miltinho Edilberto  —  Viola Caipira

22h - Início da Dança de Santa Cruz

 

Segunda-feira, 4 de maio, encerramento da Festa

— Programação Cultural —

19h - Palco Aberto  —  Artistas Locais

22h - Dança de Santa Cruz

Encerramento com a tradicional Zagaia — ritual simbólico que marca o fim da festa e a despedida coletiva da comunidade.

 

SERVIÇO

Festa de Santa Cruz na Aldeia de Carapicuíba

Data: 1º a 4 de maio de 2025

Local: Quadrado da Aldeia de Carapicuíba — Rua João Fasoli, s/nº, Jardim Marilu, Carapicuíba (SP)

Entrada: Gratuita

Festa de Santa Cruz/Divulgação



terça-feira, 14 de abril de 2026

Helena Ranaldi faz teatro com o filho, sob direção do ex-marido

No palco, uma discussão urgente sobre saúde mental na adolescência, fatos inspirados em depoimentos reais 

Malditos 16/ Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação


Por Mera Teixeira @mera.teixeira


A atriz Helena Ranaldi e o filho Pedro Waddington se juntam ao elenco de “Malditos 16”, sob direção de Ricardo Waddington, pai de Pedro. Sara Vidal, Benjamín, Julia Maez e Matheus Sousa também estão no espetáculo que estreia nesta quinta-feira (16.04) no Teatro Faap. Com tradução de Flávio Marinho, o texto do dramaturgo espanhol Nando López é promissor. 


O enredo sensível aborda saúde mental na adolescência e envolve quatro jovens que se conheceram aos 15/16 anos em uma instituição psiquiátrica após tentativas de suicídio. Anos depois, na casa dos vinte anos, eles são convocados pela psiquiatra Violeta (Helena Ranaldi) para participar de um projeto de apoio a jovens que atravessam situações semelhantes. 

Pedro Waddington/Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação


A equipe criativa do espetáculo reúne André Cortez (cenografia), Anne Cerruti (figurino),Cesar Pivetti (iluminação) e Rafael Thomazini (trilha). O texto de Nando López nasceu de oficinas conduzidas pelo autor em hospitais psiquiátricos com jovens em sofrimento emocional. A partir dessas experiências, o dramaturgo construiu uma obra que busca romper o silêncio em torno da saúde mental e estimular o diálogo. 


Para Waddington, o espetáculo aborda um tema que historicamente foi cercado de silêncio. Segundo a OMS o suicídio é hoje uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

 

“O desafio não é silenciar o tema, mas encontrar uma forma responsável de falar sobre ele. Precisamos de empatia, de escuta e de consciência de quem está do outro lado”, afirma o diretor. Segundo ele, a arte pode ajudar a criar espaços de diálogo sobre experiências muitas vezes invisíveis na vida dos jovens. “Desde o início tivemos um cuidado muito grande para que o espetáculo não romantize nem glamourize o suicídio. Para nós, ele aparece como aquilo que realmente é: o ápice de um sofrimento profundo. O que a peça propõe é olhar para essa dor com responsabilidade e humanidade, lembrando que, muitas vezes, antes desse limite existe uma dor que ficou tempo demais sem ser ouvida. Por isso, o espetáculo fala, sobretudo, sobre escuta, acolhimento e diálogo. A peça não é sobre suicídio, é sobre identidade e pertencimento”, conta Waddington. A montagem também marca um encontro familiar em cena. “Trabalhar com a Helena e com o Pedro é um luxo. Tem sido uma troca cheia de afeto e uma experiência que guardarei para a vida”, comemora Waddington.

 

                                             Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação


Serviço

Malditos 16” - Teatro Faap  (477 lugares). Rua Alagoas, 903 Higienópolis – SP

Sessões: quartas e quintas, às 20h. Tel. 36627233 

Ingressos: R$ 100,00 inteira e R$ 50,00 meia. Duração: 75 minutos. Classificação: 16 anos. Gênero – Drama.

Estacionamento. Ar-condicionado. Ambiente acessível para PcD portaria G2.

Vendas      www.teatrofaap.showare.com.br .


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Musical sobre Rita Lee faz nova temporada em SP

Interpretada pela atriz Mel Lisboa, a plateia do musical cantarola, aplaude e vibra como se fosse a própria Rita Lee no palco

Mel Lisboa interpreta Rita Lee/Divulgação


Por Mera Teixeira @mera.teixeira


Fenômeno de público. Com 292 apresentações desde a estreia em abril de 2024 e visto por mais de 250 mil pessoas, “Rita Lee, Uma Autobiografia Musical”, estrelado por Mel Lisboa e dirigido por Marcio Macena e Débora Dubois, retorna ao Teatro Porto na próxima semana (18/04), após turnê nacional com patrocínio da Porto, que passou por 24 cidades em 19 estados. 

O espetáculo estreou em 2024 no Teatro Porto e, ao longo de mais de um ano em cartaz, teve todas as sessões esgotadas. Pelo trabalho, Mel Lisboa, que interpreta Rita Lee a pedido da própria artista, recebeu os prêmios Shell e Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra de melhor atriz, além de indicações aos prêmios DID, APCA e, recentemente, ao Prêmio APTR de Teatro. A montagem também foi contemplada com o Prêmio Arcanjo Especial e o Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra pelo júri popular. 

“Voltar ao Teatro Porto é como voltar para casa, foi ali que tudo começou. Estreamos no Teatro Porto e ficamos em cartaz por um ano e dois meses ininterruptos, então esse retorno carrega muita memória. É um espetáculo com uma trajetória da qual nos orgulhamos muito. A história da Rita é atemporal, segue atravessando gerações e formando novos fãs. Enquanto as pessoas quiserem ouvir essa história e saírem emocionadas do teatro, a vontade de seguir em cena continua. É isso que nos move", conta Mel Lisboa.

O musical tem roteiro e pesquisa de Guilherme Samora e direção musical de Marco França e Marcio Guimarães.  E ainda traz no elenco, interpretando personagens icônicos da nossa MPB, Bruno Fraga (Roberto de Carvalho), Fabiano Augusto (Ney Matogrosso), Tatiana Thomé (Censora Solange), Debora Reis (Hebe Camargo), Flavia Strongolli (Elis Regina), Yael Pecarovich (Gal Costa), Antonio Vanfill (Arnaldo Baptista e Charles Jones), Gustavo Rezende (Raul Seixas), Roquildes Junior (Gilberto Gil) e ainda o ator Lui Vizotto (swing).


Trajetória do espetáculo

Tudo começou quando Mel Lisboa pisou pela primeira vez em cena como Rita Lee, em 2014, no musical Rita Lee Mora ao Lado. Ela não poderia prever algumas coisas: primeiro, que seriam meses de casa cheia em um dos maiores teatros de São Paulo. Segundo, que a própria Rita Lee apareceria sem avisar, abençoaria sua performance e ainda voltaria para assistir ao espetáculo. Trabalho, aliás, que rendeu a Mel prêmios como melhor atriz e a colocou de vez entre os maiores nomes do teatro nacional, com uma frutífera e diversificada carreira. 


Desta vez, Mel conta a história de Rita com base no livro da cantora, lançado em 2016 e um dos maiores sucessos editoriais do Brasil. O livro narra os altos e baixos da carreira de Rita com uma honestidade escancarada, a ponto de ter sido apontado como “ensinamento à classe artística” pelo jornal O Estado de São Paulo. 

A ideia do novo musical surgiu quando Mel gravou a versão em audiolivro, como Rita, em 2022.  O texto de Rita, numa narrativa envolvente e perfeita para um musical biográfico, conta do primeiro disco voador avistado por ela ao último porre. Sem se poupar, ela fala da infância e dos primeiros passos na vida artística; de Mutantes e de Tutti-Frutti; de sua prisão em 1976, na ditadura; do encontro de almas com Roberto de Carvalho; das músicas e dos discos clássicos; do ativismo pelos direitos dos animais; dos tropeços e das glórias.

“A vida de Rita precisa ser contada e recontada. Sua existência transformou toda uma geração. E continua a conquistar fãs cada vez mais jovens. Rita não é ‘somente’ a roqueira maior. Ela compôs, cantou e popularizou o sexo do ponto de vista feminino em uma época em que isso era inimaginável. Ousou dizer o que queria e se tornou a artista mais censurada pela ditadura militar. Na época, foi presa grávida. Deu a volta por cima e conquistou uma legião de ‘ovelhas negras’. Se tornou a mulher que mais vendeu discos no país e a grande poetisa da MPB”, completa Mel.

Como diz Rita no livro, seu grande gol é ter feito um monte de gente feliz. E Mel, no palco como Rita, leva a sério essa missão: todas as vezes em que interpreta Rita, as pessoas se comportam como se estivessem num show. Cantando junto, batendo palma e, não raras as vezes, correndo para dançar na frente do palco no “bis” do espetáculo. 

Rita Lee, Uma Autobiografia Musical cria, portanto, uma versão inédita que mostra todas as facetas dessa grande cantora, compositora, multi-instrumentista, apresentadora, atriz, escritora e ativista dos direitos humanos e uma das maiores artistas brasileiras.


SERVIÇO

Rita Lee, Uma Autobiografia Musical 

Reestreia 18 de abril de 2026.

Temporada: De 18 de abril a 28 de junho. Sextas e sábados, às 20h; Domingos, às 17h.

Ingressos: Plateia: R$220 (inteira) / Balcão e Frisas: R$180 (inteira)

Valor Especial: R$ 50,00 (inteira)

 *O ingresso VALOR ESPECIAL é válido para todos os clientes e segue o plano de democratização da Lei Rouanet, havendo uma cota deste valor promocional por sessão.

Classificação: 12 anos.

Duração: 120 minutos.


TEATRO PORTO 

Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.